27/05/2011 -
A decisão do governo local de enviar tropas de choque à praça Catalunya enfureceu os manifestantes, embora os protestos tenham sido pacíficos.
"A ação policial foi totalmente injustificada. Durante todo o dia eles levavam cartazes chamando por 'resistência pacífica'", diz Russo, que esteve por duas vezes no local e disse que a atmosfera remonta à praça Tahrir, no Egito, onde intensos protestos levaram à queda do ditador Hosni Mubarak.
O jornalista afirma que a repressão teve o efeito inverso, e aumentou ainda mais o número de barracas na praça, que ficou absolutamente lotada logo após a saída dos policiais. Muitos relataram que o local nunca esteve tão cheio desde o início dos protestos.
A violência em Barcelona chega semanas depois que milhares foram às ruas do país em manifestações por democracia e contra a corrupção e o sistema financeiro que levou à crise econômica amargada pelos países da zona do euro.
Incentivados pelas revoltas nos países árabes, que já derrubaram os ditadores da Tunísia e do Egito, muitos jovens têm acampado em praças pedindo o fim do bipartidarismo e cobrando uma maior participação na democracia espanhola.
Emilio Morenatti/Associated Press | ||
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Manifestante mostra sangue de outros jovens feridos em suas mãos; repressão da polícia enfureceu espanhóis |
A polêmica investida da polícia tinha como objetivo desmantelar o acampamento montado na praça Catalunya, no centro de Barcelona, informa o jornal "El País".
De acordo com o diário, o chamamento dos jovens à sociedade civil espanhola foi bem sucedido. "Famílias com crianças, idosos e jovens, muitos com flores e as mãos pintadas de branco em protesto à repressão policial" são vistos em Barcelona, afirma o jornal.
Na segunda-feira (23), os manifestantes em diversos pontos do país acampados em praças deixaram claro sua intenção de continuar com os protestos e espalhá-los por mais cidades.
Albert Gea/Reuters | ||
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Tropas de choque tentam desmantelar acampamentos e retirar os jovens que protestam na praça Catalunya |
Os seguidores do Movimento 15-M (devido ao dia em que começaram os protestos, 15 de maio) não se deixaram abater pela vitória do PP (Partido Popular, de centro-direita) nas eleições municipais e regionais realizadas no domingo (22) --evidenciando uma clara derrota da esquerda.
Os líderes da revolta voltaram a defender o "apartidarismo reivindicativo" e no início da semana informaram à imprensa que o futuro do movimento deve ser decidido por meio de assembleias organizadas em quase 70 cidades espanholas.
Emilio Morenatti/Associated Press | ||||
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Policiais bloqueiam avanço de manifestantes no centro de Barcelona; ao menos 121 ficaram feridos nesta sexta Analistas indicam que os jovens podem ter se organizado para boicotar os dois principais partidos espanhóis, direcionando os votos para legendas minoritárias, o que o movimento nega. |
"Em nenhum momento estivemos focados em mudar o rumo destas eleições. Estamos tentando mudar este sistema, que após as eleições continua. Por isso, as pessoas seguem vindo aqui, para prosseguir reivindicando seus direitos", disse um dos porta-vozes do 15-M.
site:folha-sp
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